17 de março de 2006

“abaixo-assinado” - Contra o encerramento do ‘Posto Médico’ em Vila Franca da Beira

JUNTA DE FREGUESIA DE VILA FRANCA DA BEIRA

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À Comunicação Social:

DELEGAÇÃO DE AUTARCAS
DA FREGUESIA DE VILA FRANCA DA BEIRA ( Oliveira do Hospital )
ENTREGA “ABAIXO - ASSINADO” NA SUB - REGIÃO DE SAÚDE DE COIMBRA, SEXTA-FEIRA, 17 DE MARÇO, 15 H. 30.

População reclama manutenção em funcionamento do “Posto Médico” local.

Apesar de ainda não estar oficialmente confirmado, corre sérios riscos de ser encerrado o “Posto Médico” ou, com mais rigor, o “Posto Avançado de Acompanhamento a Idosos” que funciona nesta Freguesia desde 1989, no âmbito da Extensão de Saúde de Ervedal da Beira e do Centro de Saúde de Oliveira do Hospital.

Para esclarecer melhor o caso e, até, perante a possibilidade de vir a ser confrontada, de repente, com o “facto consumado”, a Autarquia Local está a solicitar, desde há cerca de um mês, uma reunião à Sr.ª Coordenadora da Sub-Região de Saúde de Coimbra, reunião que esta responsável regional do Ministério da Saúde ainda não se dignou a marcar alegando falta de disponibilidade.

É nesta situação de preocupação e expectativa, que Autarquia e População promoveram um “abaixo-assinado” ( 236 assinaturas ) onde se pronunciam :

“ Contra o encerramento do ‘Posto Médico’ em Vila Franca da Beira
Por Serviços de Saúde acessíveis e de qualidade ”.

Este “abaixo-assinado” vai ser enviado ao Presidente da República; ao Presidente da Assembleia da República; ao Primeiro-Ministro; ao Ministro da Saúde; aos Grupos Parlamentares; ao Presidente da Câmara de Oliveira do Hospital.

E também com o objectivo de reforçar o pedido de reunião, a delegação de Autarcas da Freguesia vai fazer entrega, em mão, de um exemplar do “abaixo-assinado” na Sub-Região de Saúde, em Coimbra, na data e à hora supra citadas.

Ou seja, ninguém vai poder dizer que não foi informado acerca da vontade da Autarquia e da População de Vila Franca da Beira – uma População ainda numerosa (400 residentes) mas com elevada percentagem de idosos – em manter em funcionamento o seu “Posto Avançado de Acompanhamento (médico) a Idosos”.

Entretanto, espera-se que a Srª Coordenadora da Sub-Região de Saúde de Coimbra, em primeiro lugar, respeite a vontade e os direitos da Autarquia e da População e que também não protele por mais tempo a reunião solicitada.

Vila Franca da Beira, 16 de Março de 2006
O Presidente da Junta de Freguesia
João Dinis
( telemóvel 91 998 52 52 )

Nota:- em princípio, uma delegação de Autarcas da freguesia de MERUGE também vai à Sub-Região de Saúde de Coimbra, à mesma hora e com idêntica finalidade.

20 de fevereiro de 2006

-BAILE DE ENTRUDO - 2006



NA SEDE DA U D V

SEGUNDA-FEIRA, 27 DE FEVEREIRO, 2006

E tal como já é tradição, a União Desportiva e Tuna Vilafranquense, U D V, organiza, na Sede, mais um “Baile de Entrudo”, no caso com apoio da Junta de Freguesia. Vai ser na Segunda-Feira, 27 de Fevereiro, a partir das 22 horas, abrilhantado pelo também habitual conjunto musical “Brinco´ Baile”.

Com prémios para os melhores disfarces “de Entrudo”. Com entrada franca pois já houve uma colecta de donativos – dinamizada pelo Amadeu Monteiro, Jordão - para ajudar a pagar as despesas.



Ao fim e ao cabo, uma tradição recente – este tipo de baile na UDV – dentro de uma tradição muito mais antiga e em vias de se perder, o “nosso” Entrudo que tem sido parasitado e exaurido pelas imitações “baratas” ( e sem mulatas…) dos carnavais importados…



Apareçam “os entrudos” que lá estaremos à espera deles e de outros foliões, no “Baile de Entrudo” na Sede da União.

A Direcção da UDV

ASSEMBLEIA GERAL ELEITORAL

DA U D V
3 DE MARÇO, 2006

Está marcada para 3 de Março ( 21 h.), na Sede, mais uma Assembleia Geral Eleitoral da U D V.

Acontece que chegou ao fim o mandato – agora de dois anos - dos (ainda) Órgãos Sociais da UDV. Entretanto, no início deste mês de Fevereiro, também em Assembleia Geral, já foram aprovados o “Relatório e Contas de 2005” mais o “Plano de Actividades e Orçamento para 2006”.

Espera-se, pois, que os Sócios da UDV correspondam às responsabilidades, apresentando e elegendo novos Órgãos Sociais. Para se manter a União “Viva e Sempre Jovem ! ”.

Jano

12 de janeiro de 2006

Rancho Rosas de Vila Franca da Beira sai à rua a “Cantar as Janeirinhas”


Pois foi. A 1 de Janeiro, apesar de reduzido na sua composição, o Rancho voltou a sair às ruas de Vila Franca. No caso a cantar “as Janeirinhas” como afinal já faz há sucessivos “Dias de Ano Novo”.


Na animação, as Cantadeiras e alguns Tocadores. Estandarte à frente, também com o objectivo de recolher os donativos... Paragens mais ou menos programadas neste e naquele local. Sobretudo onde de antemão é sabido já estar à espera determinado amigo do Rancho.



Aí, cai maior donativo... Noutros lados, bebe-se um licor, come-se um bolo ou uma fatia de Queijo da Serra. E lá prossegue a volta ao Povo ( sem dança incluída).



Na parte final, já se canta e toca com mais desinibição. Afinal, o(s) licor(es) tinha(m) tónico anímico... É a vida. São os hábitos da comunidade ou, pelo menos, de alguns dos seus membros. Dá vida e animação e, espera-se, que também dê algum proveito para o Rancho Rosas de Vila Franca da Beira. Aliás, bem merecido pelo esforço e pela perseverança.

11 de janeiro de 2006

“Clube dos Barrigudos” organiza - Matança do Porco – à moda tradicional.

Apesar das inadmissíveis “imposições da Comissão Europeia” e dos seus “terminais” no nosso País – os nossos governantes -- o facto é que a “malta” cá vai continuando a matar o “bácaro” à moda tradicional...



Então, desta vez, o inefável “Clube dos Barrigudos” tomou a inicativa de organizar uma “matança” e a correspondente festança. Este “Clube” providenciou o animal – grande e roliço – convocou o “matador”, preparou a “cena” e lá vai disto:- às oito horas da manhã de Sábado, 31 de Dezembro, de 2005, “consumatum est” o desfecho, estilo tradicional, no caso para uma fémea de reco (porca).

Bem, recorramos a esta linguagem mais ou menos erudita para obviar àquilo que, no acto, pode ser classificado como “selvajaria”...

O acontecimento deu-se no átrio Sul-Poente da Sede da UDV. Um chovisco muito fino proporcionou-lhe mais discreto envolvimento.

Às nove horas, já era servido aquele sangue cozido, esponjoso e quente. Para comer com broa ou outro pão. Com um copo de tinto caseiro a acompanhar. “Papo cheio” logo pela manhã...



Almoço pelas 13 horas, nas mesas corridas dentro do Salão grande da União.

Com febras, ou fêveras segundo os mais puristas. Com arroz de feijão, e mais pão e mais vinho.

Uns sessenta convivas depressa ficaram com as bochechas a abarrotar ( e o estômago a arrotar) que o pitéu é apetecível e a tradição remanesce forte.Louvável iniciativa esta do “Clube dos Barrigudos” em colaboração com a UDV.


Apenas como curiosidade, cinco dos “sócios fundadores” do “Clube dos Barrigudos”, em conjunto, pesam mais de 600 quilos ! Bela equipa para comer e beber !

Jano

Vista da Serra da Estrela



Serra da Estrela - Janeiro 2006

8 de janeiro de 2006

CONVÍVIO - TIPO “ REVEILLON ” - NA PASSAGEM DE ANO, 2005 / 06




Partindo aliás da sugestão de alguns Sócios, a Direcção da U D V promoveu, na Sede, um Convívio de Passagem de Ano.


Com serviço de “bufete” incluído e inscrições prévias na base dos 6 euros por pessoa, “espumante” à parte… Início previsto para as 22 horas de dia 31 de Dezembro. Música ambiente na aparelhagem privativa da União, hoje com leitor dos “CD´s” que os Convivas eles próprios trouxeram. Portanto, música “a metro” e à vontade do “freguês”…Mesa farta e muito variada, posta no Bar novo, anexo ao Salão Grande do rés-do-chão. Entretanto, neste Salão evoluía o bailarico “caseiro”.



Muitos Convivas, mais do que a organização previra. Mas, de qualquer forma, o “bufete” estava prevenido e provido, das carnes, aos frios e salgados, à doçaria, passando pelo sempre reconfortante caldo verde.



Não houve problemas com o serviço, até porque o Vinho era bom, deste Dão local que às vezes sai realmente bom, como no caso.

E quando o relógio assinalou a meia-noite e a TV a cores mostrou o fogo de artifício em não sei quantas paragens remotas, também ali, na Sede da UDV, se correu com o Ano Velho e se brindou ao Ano Novo.



Que 2006 seja muito melhor que 2005 !

A Direcção da U D V

29 de dezembro de 2005

Cepo de Natal ... e Ano Novo


Floriu “em fogo” o Cepo de Natal – 2005 !

Tradição cumprida. Noite-madrugada, frias e cerradas, e um grupo de voluntários encarregou-se de ir à mata, cortar e traçar rolos de pinho, para com eles carregar um tractor que os transportou, direitinhos, para o Cepo de Natal - 2005, no Largo da Capela.

Ao cair da noite seguinte, juntou-se mais uns cepos, dos autênticos, daqueles com raízes cheias de resina e ainda a agarrarem-se à terra-mãe.


Com a Pira completa, botou-se-lhe o fogo. As chamas hesitaram no início, farejaram a resina, apalparam a matéria e, enfim, lá galgaram satisfeitas, de raíz em raíz, de rolo em rolo, até proporcionarem vistosa fogueira. Depressa crepitaram as fibras vegetais e subiram as labaredas, enquanto aquecia o ar nocturno e se juntava Povo, à volta.


Todavia, não estava lá muito frio... Não soprava o Soão nem sequer vento dele arraçado. Mas, mesmo assim, sabia bem estender os braços e mãos em direcção ao fogo. Apetecia dar, e voltar a dar, meias-voltas, pausadas, ora de costas ora de frente para a fogueira. Quem já esteve num Cepo de Natal, pelas noites de Dezembro adentro, sabe como é. Quem nunca esteve, pode imaginar...

Batem as doze badaladas no Sino do Campanário da Capela a indicar que, afinal, já é meia-noite. O grupo que permanece no Cepo estimula-se em desafios constantes:- “afinal, onde estão as ‘choiriças’... e o raio do vinho que tanto tarda ?? Ó ‘fulano de tal’, então como é ?...” – tais são os reptos mutuamente lançados com óbvios objectivos... Por fim, alguém se decide. Lá “aparecem” as chouriças – ou choiriças – e o incontornável garrafão com boa pinga caseira. Desta vez, havia “especialistas” nestas comezainas:- tiraram brasas para fora do lume forte, colocaram, em cima, umas telhas, tipo “meia-cana”, e assim fizeram a “cama” para as chouriças e morcelas. E como depressa chiaram elas, a derreterem-se todinhas naquela fornalha controlada por mão experiente ! Santos Anjos e Arcanjos vinde cantar hossanas e louvar o pitéu ! Com o devido respeito, estamos em crer que a Santa Margarida – que em vida humana foi pastora – tentou sair do Altar, ali ao lado, dentro da Capela, para vir até ao Largo, juntar-se aos convivas, e provar ...


Calcula-se que na patuscada tenham sido degustados uns cinco quilos de enchidos! Ah!... E mais o garrafão de cinco litros, e mais uma grade de cervejas... para além de muita água da Fonte da Capela que, do pitéu, bocados houve a queimar de picante... Afinal como manda a tradição.



Como sempre, houve quem ali ouvisse bater as cinco da madrugada. Com voltas e meias-voltas a aquecer o corpo, por fora e por dentro... A pôr ou a ajeitar os rolos e os cepos. Na chalaça e no convívio. O fogo, o grupo, a comida e a bebida, a convocarem o “ser social” que (ainda) há em nós !

Por isso ainda há Cepo de Natal. Talvez um dia volte a ser “natal”, dia e noite, todos os dias.

Pois... Mas, entretanto, prepare-se o Cepo para o Ano Novo !

Jano

26 de dezembro de 2005

Mensagem de Natal 2005 - Jano



O negócio com a pobreza

Assim é o sistema. Nunca, como agora, houve tanto negócio em torno da pobreza e da exclusão social. O (aparente) paradoxo vem ao de cima sobretudo até nestas quadras mais ou menos festivas. O contexto sócio-económico é marcado pelas crescentes dificuldades para que são atiradas as pessoas, em resultado directo das políticas neo-liberais, de direita, aplicadas por sucessivos governos mais a União Europeia :- desemprego; contenção salarial; ataques aos direitos dos trabalhadores; destruição do aparelho produtivo nacional; privilégios de toda a ordem para meia dúzia de grandes grupos económicos ou financeiros; ataques violentos - e a partir dos próprios governantes - aos sistemas públicos de saúde e de segurança social; múltiplas televisões e internet´s a intoxicarem as ideias e a deformarem as mentalidades; tudo isto ainda a pretexto da trafulhice política que é esta da alegada contenção de um “défice orçamental” que, entretanto, não pára de aumentar… Sim, é este o contexto mais geral em que uma escassa minoria de grandes privilegiados “reina” sobre uma larga maioria de cidadãos com dificuldades diárias de toda a ordem ! É o “caldo de cultura” ideal para a “acção social” de milhares de entidades que agem e se afirmam quase sempre através do acesso privilegiado a fundos públicos, e não queremos aqui entrar pelas motivações individuais que também interagem no processo. Poder-se-á sempre dizer:- “coitadinhos dos pobres, excluídos e outros desamparados que sem tais instituições ainda estariam pior”… Pois, pois, mas o facto, objectivo, é que nunca houve tantas dessas instituições e entidades, ditas de “solidariedade social”, com tanto dinheiro disponível, mas, ao mesmo tempo, afinal também há cada vez mais “pobres” e excluídos e cada vez mais tragédias pessoais (!…). Quer dizer, no caso, essas instituições e entidades são um “produto” deste sistema, não para lhe “curar” as verdadeiras causas da (vasta) “pobreza” mas para lhe tratar algumas das feridas mais visíveis. Poder-se-á dizer que aliviam, mas que estão longe de satisfazer, e a preço muito alto.
São pois indisfarçáveis os vantajosos “negócios” de que desfrutam, repete-se, desde logo no acesso aos fundos públicos dos Orçamentos de Estado, anuais. A comprová-lo está, entre outros, a recente investida, no nosso País, de um dos homens mais ricos do mundo, exactamente a posicionar-se, ainda melhor, no “negócio” das instituições de carácter “social”, quanto mais não seja para ter cobertura para certas “engenharias financeiras”…
Mas também que esclarecedor seria, por exemplo, que a Segurança Social divulgasse as contas e contabilidades anuais das várias instituições, do género “solidariedade social”, a operarem no nosso Concelho ou que, pelo menos, aceitasse divulgar os montantes de dinheiros públicos que cada uma delas recebe!...
E, ainda como mais um exemplo, medite-se no caso daqueles famosos jogadores de futebol que organizam encontros ocasionais ( e constituem fundações…) para angariar fundos para os “necessitados”. Não sabemos se as consciências lhes doem pelos exageros que recebem e gastam a partir “circo” do futebol, mas sabemos que, entretanto, quando se deslocam à Alemanha – como agora aconteceu para um desses encontros – logo lhes põem à disposição hotéis e automóveis super-luxuosos, isto para além de outras (mas inconfessáveis…) “mordomias”.
Ou seja, a (maior) riqueza aparece a liderar a “gestão” da maior pobreza! Inspirando-nos nós em célebre padre jesuíta do século dezassete, diremos agora:- a imensa riqueza, esse monstro que se alimenta de pobreza e que, quanto mais pobreza consome, mais pobreza reclama…
Este é o sistema, este é o desgoverno da época. Em que o capital - e as grandes superfícies comerciais… - substituíram o Menino Jesus pelo “Pai Natal” do consumismo. Também para que nós, aqui no canto da nossa cultura “cristã-ocidental”, nos esqueçamos que a cena bíblica do Nascimento de Cristo no estábulo e o seu berço na manjedoura mais não simbolizam que a rejeição apostolar do “leito de ouro” em que alguns nascem, comem e se perpetuam ! Afinal, para nós nos esquecermos de alguns daqueles, dos mais ricos e mais poderosos, que “arranjam o farnel com o diabo” para, depois, o (quererem) “comer com deus”.

Dia de Natal, 2005
João Dinis, Jano

11 de dezembro de 2005

ENTERRO DO S. MARTINHO - 2005

" AVISAR O S. MARTINHO "

DE 10 PARA 11 DE NOVEMBRO - 2005

Como sempre, ou pelo menos desde que há memória, um grupo confidencial de Vilafranquenses, "disfarçados de anónimos", saíu à rua, pela calada da noite, a "avisar o S. Martinho". Noite agora menos "calada" porque há iluminação pública mais do que suficiente para mostrar "os anónimos" a quem se dispuser a ir espreitar às janelas das casas...

Mas lá saíram do Largo do Rossio, ao que se soube já depois das doze badaladas com que o sino da Capela assinalou a meia-noite de dia 10 de Novembro. A ser assim e por uma questão de rigor, os avisos do S. Martinho 2005, começaram já com a madrugada do nascimento do dia 11, afinal o dia tradicionalmente fixado para o S. Martinho.


E pelo som telúrico das vozes ampliadas pelos funis ( ou sucedâneos) e do grosso e ritmado "dlão-dlão-dlão" dos grandes chocalhos pastoris, a volta ao Povo terá demorado pouco mais de uma hora.

Concluída a volta, parece que apenas pelas principais ruas, o grupo acabou a retemperar o corpo ( e a alma) em casa de um dos seus componentes.

A garotada que acordou com os avisos, perguntou aos pais o que era aquilo, lá fora na rua, e os pais responderam-lhe como também, anos antes, os seus pais já lhes tinham respondido a idêntica pergunta.

A noite esteve fria, de quase lua cheia. A Serra da Estrela já tinha neve no coruto e o vento, ao passar por lá, aguçou as facas para nos cortar o rosto, cá em baixo, no planalto beirão. Sobretudo àqueles que andaram a "avisar o S. Martinho" em Vila Franca da Beira.



" MAGUSTO DE S. MARTINHO " TARDE-NOITE - 11 DE NOVEMBRO - SEDE DA UNIÃO



De novo com as Castanhas e as bebidas a servirem-se na Sede da União. Sete horas da tarde-noite, conforme o programa, lá subiram e estoiraram alguns foguetes a convocar o Povo para a festança. Já houve tempos, em que este tipo de avisos, a convocar o Povo, era feito com recurso a búzios do mar -- sim, aqui em Vila Franca da Beira - ou utilizando um grande corno (chifre) de boi. Com a facilidade de acesso à pirotecnia, agora sobem e estralejam os foguetes. É festa.

Muita Castanha - como ultimamente, assadas no forno ( a lenha) de cozer pão da senhora Teresa Lopes Marques, "Minéria". Várias bebidas, umas mais espirituosas que outras, quase todas "quentes"...

E muitos dos convivas deste Magusto de S. Martinho já chegaram depois de jantar ou seja, já vinham com o estômago composto de casa e, então, foi continuar com a "sobremesa" de castanhas com vinho, jeropiga, bagaço, etc.

Eram já 21 horas e 30 quando se encerrou o Magusto e todos saíram para a rua em direcção ao Largo do Rossio de onde, logo a seguir, partiria a "procissão" do "Enterro do S. Martinho".




CENAS DO " ENTERRO DO S. MARTINHO " PELAS RUAS DE VILA FRANCA DA BEIRA

Dia / Noite de S. Martinho, 11 de Novembro, 2005. Largo do Rossio ou, também, Largo Dr. Agostinho Antunes. Passa das 21 horas e 30. Apaga-se a iluminação pública e logo aparece a "Irmandade do S. Martinho" já em formação. À frente, erguido ao alto por um dos “Irmãos”, vem o "rôdo" do forno de cozer o pão - normalmente uma vara obtida de tronco escorreito de pinheiro cortado muito jovem, aí com uns três/quatro metros de comprido, com um outro pedaço de pau pregado em “T”, na extremidade.

O “rôdo” serve para retirar as brasas e a “borralha” quente de dentro do forno de cozer o pão mas, na função da noite, é o guia erguido ao alto pelo “Irmão” que caminha a meio das duas alas laterais da "Irmandade", ao todo composta por vinte elementos empunhando archotes ( de jardim) acesos. Já vem Povo atrás. Param. À luz dos archotes, é agora visível a padiola - artefacto em madeira antes utilizado, nas lides agrícolas, para transportar, à mão, certas cargas (carregos). Deitado em cima da padiola, vem um boneco, à escala natural, simbolizando o cadáver do S. Martinho. Quatro braços vigorosos suspendem este “andor” profano. Um "pormenor" - e que "pormenor"... - chama a atenção:- o boneco exibe um portentoso falo (pénis), agressivamente erecto e rubro...assim como exibe “ o resto” da genitália masculina!... Trata-se de um elemento que não estava presente na encenação tradicional de que nos lembramos, mas que os actuais dinamizadores insistem em colocar no boneco. O "pormenor" torna-se imediatamente o centro das atenções gerais e dos ditos e "muafas" (trejeitos gestuais) dos "encomendadores" ( espécie de padres de arremedo) deste ano, o Ernesto e o Pedro "Bufo", muito diferentes dos entre nós mais tradicionais "encomendadores" e que agora não participaram ( o Carlos Sacristão e o António "Zangarilho").

A meio do percurso, juntam-se-lhes uma mulher e mais tarde outra ainda. Constitui uma grande novidade, este facto da participação de mulheres enquanto "encomendadoras" ( ou encomendadeiras ? ) no Enterro, o que lhes dá um papel mais central nas cenas. Há poucos anos tinham-se incluído mulheres com algum papel mais activo na "procissão/enterro" mas apenas enquanto "viúvas" e "carpideiras" do S. Martinho. Curiosamente, ninguém pareceu muito "chocado" com o enorme, sempre erecto e rubro falo (e outros viris apetrechos) do boneco... Talvez que alguma criança, das mais pequenas, também tenha agora perguntado aos pais o que era aquilo que ia no meio das pernas do boneco do S. Martinho...

E com as paragens do costume - Largo da Capela - Cimo do Povo - Largo do Cruzeiro - lá seguiu a "procissão" deste "Enterro do S. Martinho", 2005. Muita gente e de todas as idades. Feito o "ó" da volta ao Povo, é o regresso ao Largo do Rossio. Então, o boneco sai da padiola e é içado para o tubo ( este ano foi um tubo metálico) de onde fica pendurado. Atiça-se-lhe o fogo que crepita e o envolve todo em chamas...que dançam e dançam enquanto o "purificam". Caem os restos do boneco e continuam a arder, já no chão, “aos pés” do tubo vertical. Sobem foguetes e estoiram no ar, com lágrimas e tudo. Aparecem mais castanhas assadas, mais vinho e jeropiga... Hora e pouco depois de se ter iniciado, em "procissão", mais um "Enterro do S. Martinho", o Povo, já serenado, permanece em volta, no Largo do Rossio, em convívio "tribal"... As ruas apertadas, as sombras da noite, as silhuetas das casas e das árvores, agora também elas parecem estar mais em harmonia com a natureza de cada ser e com “a alma” de todos nós.

CELEBRAÇÃO ACTUAL DE RELIGIÕES PRIMITIVAS

As gentes e os seus muitos sentidos, a Povoação, as matas envolventes, a noite, o frio, a lua e as estrelas cintilantes, todos os “elementos” convocados para o exorcismo dos medos íntimos e das tensões sociais, esses “elementos” absorveram e expandiram as "energias - forças" emitidas através das cenas rituais. Assim como um exorcismo (catarse) colectivo vindo das cargas genéticas e da própria natureza no seu todo cósmico. Impulsos ancestrais vindos das profundezas de cada um e de todos os que (ainda) os sentem. Impulsos vindos dos próprios elementos mais dinâmicos deste universo, que entre si se conjugam ou desconjugam para influenciar a vida e a morte. Sim, no fundo, no fundo, trata-se de formas de celebração de alguma religião primitiva e mais determinante que qualquer das perversidades religiosas (muito) posteriores. Às primeiras, às mais genuínas religiões da civilização, houve quem, muito depois, as designasse por "paganismo" e com toda a intolerância e violência possíveis, mas também com habilidade noutros casos, as proscrevesse – tentasse proscrever - dos hábitos das gens e dos povos conquistados pela espada e pela cruz, as duas irmãs siamesas “baptizadas” de cristãs e católicas...

“ A TRADIÇÃO ” PODE RENOVAR-SE E CONTINUAR A SER TRADIÇÃO...


A força "da tradição" ainda hoje é forte e é capaz de reviver nas novas condições. Mas, “a tradição", apesar de tudo, também já não é como era e ainda bem. No "Enterro do S. Martinho", em Vila Franca da Beira, nos últimos anos e mais ou menos espontaneamente, têm surgido novos elementos "cénicos” e “coreográficos". Por exemplo, está a ter muita força o "impulso" para as celebrações tipicamente do Entrudo, com a introdução de elementos mais provocatórios como acontece com o singular falo (pénis) do boneco que vai na “procissão”... Mas também nisto podemos (re)entrar nos rituais antigos (e actuais) do culto da fertilidade. Mas, provavelmente que a grande "inovação" seja a participação activa de mulheres enquanto personagens centrais da "procissão / enterro". Talvez um regresso ao matriarcado de há cinco mil ou mais anos atrás, quando por aqui, pelo agora nosso planalto beirão, as gens e as tribos, (ainda) lideradas pelas mulheres, começaram a pastorear, umas, e a sedentarizarem-se mais na agricultura, outras...

Seja como for, “a tradição” pode ser revisitada e actualizada. Desde que, com a excessiva preparação (intelectualização) prévia, não se liquide o espontâneo e saudavelmente "selvagem" que há em nós. A propósito, durante o percurso, a organização continuou a fazer ouvir – através de aparelhagem sonora transportada em carro-de-mão -- o muito “civilizado” e urbano “Requiem” (uma “missa dos mortos”) do Amadeus Mozart...

E, agora, digam lá o que quiserem, mas quem já conseguiu participar sem preconceito na “procissão” e assim experimentou a “catarse” – ou o exorcismo - ao longo das ruas, também a seguir experimentou o sentimento de descontracção individual e social depois de encerrado o “Enterro do S. Martinho”, no Largo do Rossio. É ! Tal como já disse o Poeta, “mais vale experimentá-lo que julgá-lo...mas julgue-o quem não pode experimentá-lo” .

João Dinis, Jano

10 de dezembro de 2005

Novembro de 2005

novembro 18, 2005

Poema de Ana Maria Borges Diniz - Argentina -

Tradução/adaptação, pelo Jano


" António, el português

Não se ouviram sirenes no 23 de Julho...
mas o barco docemente veio
e aos 95 anos cumpriu-se o seu destino...

Seguramente como estava desejando
já chegou à sua aldeia e ... no céu das beiras
uma nova estrela está brilhando.

Apesar da dor que nos causou a sua partida
quis o destino que uma tranquilidade
nos embargasse esse dia
ao descobrir com surpresa
da porta do quarto
onde seu corpo jazia... e, entre a mortalha que o cobria
uma imagem querida !!!! quase escondida
ali estava Ela em bronze esculpida !!!!
a Virgem de Fátima fazendo-lhe companhia !!! "


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Nota: - Que a filha Ana Maria me desculpe se a tradução diminuir o seu poema até porque, de facto, é muito bonita a sonoridade "latino-americana" do castelhano (espanhol). Jano

Outubro de 2005

outubro 26, 2005

Eleições Autárquicas - 2005 -


Resultados

Setembro de 2005

setembro 12, 2005

Mensagem de ANA MARIA BORGES DINIZ - Argentina

Hola amigos
Bueno quiero compartir con Uds. algo que escribí, referido a la muerte de mi padre acaecida el 23/7 pmo.pdo. y está inspirada en la letra de un vals, que compusiera mi hno. Juan Carlos hace ya un tiempo y en algo que efectivamente ocurrió:

Antonio, el portugues

Antonio, va durmiéndose
oyendo el canto del mar
el barco que lo trajo, sueña..
hoy lo ha venido a buscar

Estribillo

Aguas del Boquedo
de mis beiras
eso quiero
aire lusitano,
en la música de un fado
Comienza a despertar
y ya no puede hablar de la emoción
y aunque la noche es bella
no son las estrellas de su Portugal
Su vida echó raiz aquí
su alma no pudo emigrar
por eso es que en las noches sueña, y vuelve a su pueblo natal.

Boquedo: vertiente de agua en Vila Franca da Beira (Alta) Beiras: region de Portugal, Centro norte a la vera de la Sierra de la Estrella, altura máxima de Portugal 2000m.

Antonio, el portugués

Por Ana Maria Borges Diniz

No se escucharon sirenas el 23 de julio....
pero el barco dulcemente vino
y a los 95 años se cumplió su sino..
Seguramente como lo estaba deseando...
ya llegó a su aldea y.... en cielo de las beiras
una nueva estrella está brillando.
A pesar del dolor que nos causó su partida
quiso el destino que una tranquilidad
nos embargara ese día
al descubrir con sorpresa
en la puerta del camarote
donde su cuerpo yacía.... y,
entre la mortaja que lo cubría
una imagen querida!!!! casi escondida....
Allí estaba Ella en bronce esculpida!!!!
La Virgen de Fátima haciendole compañía!!!

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La Virgen de Fátima era su devoción y quiso la casualidad que después de sesenta años y a sus 80 regresara a su tierra aquel 13 de mayo de 1990, lo que hizo muy azarosa la llegada a " seu povo".

Recorrer esas callecitas en su compañía fue una experiencia única... él rememorando aventuras.... y yo feliz y emocionada escuchándolo tratando de recrear en mi mente aquellas vivencias.

Regresamos acompañados por una imagen de la Virgen, la que tenía siempre consigo , hasta sugirió que fuera el nombre del geriátrico donde moraba, y así fue.

Agosto de 2005







FALECEU

Américo Tavares de Almeida "Rufia"

O núcleo de Veteranos da União Desportiva e Tuna Vilafranquense, UDV, está de luto.
Faleceu o seu treinador desde a primeira hora, AMÉRICO TAVARES DE ALMEIDA, grande campeão das tácticas futebolísticas e do jogo de "sueca", desde o seu tempo de tropa, em Macau.
Neste momento de muita tristeza, o Núcleo de Veteranos exprime sentidos pêsames à família enlutada.

Até sempre Américo!...

Pel' O Núcleo
João Dinis, Jano

Julho de 2005

julho 26, 2005

CONVÍVIO COM VISITANTES DE VILA FRANCA DO LIMA

EM VILA FRANCA DA BEIRA

Pois, no passado Sábado, 16 de Julho, em Vila Franca da Beira, lá se realizou um bom convívio "futebolístico-gastronómico-cultural", desta vez com uma representativa delegação da freguesia-irmã de Vila Franca do Lima ( concelho de Viana do Castelo).






Oportunidade para um belo almoço - à base de caldeirada de borrego -- confeccionado e servido na Sede da União.


Depois, à meia-tarde, no Campo das Carvalhas, teve lugar um animado desafio em Futebol - Veteranos entre as equipas do Núcleo de Vetreranos da UDV ( anfitriões) e da Secção de Veteranos do Futebol Clube de Vila Franca do Lima.


O resultado final ficou em 2 - 1 favorável aos visitados, mas também foi o que menos importou, desde logo porque a Taça em disputa até foi oferecida aos visitantes...
Seguiu-se uma "merenda" para todos após o prélio e o merecido banho.
Entretanto, o incontornável Murça "abrilhantou" o evento com os seus fados e declamações.
E o António Simões, "grão-mestre" de Comeres e Beberes Tradicioanais, conseguiu uma caldeirada de borrego (caseiro) muito próxima da perfeição! Assim o assinalaram todos os privilegiados que tiveram aceso ao pitéu.


O convívio, sempre bem-disposto e fraterno, foi organizado pelo Núcleo de Veteranos da UDV e teve o apoio da Junta de Freguesia de Vila Franca da Beira e da Junta de Freguesia de Vila Franca do Lima.
Jano



julho 15, 2005

Futebol – Veteranos
Sábado, 16 de Julho, 2005
17 horas – Campo das Carvalhas
Vila Franca da Beira



Futebol – Veteranos

Núcleo de Veteranos da U D V – União Desportiva e T. Vilafranquense
Secção de Veteranos do Futebol Clube de Vila Franca do Lima
Ora aí está mais um convívio Futebolístico-Gastronómico-Cultural
Desta vez, também um prélio entre duas equipas “irmãs” pois de duas Vilas Francas enfim se trata.
Antecede um almoço de confraternização, a confeccionar e a servir na Sede da UDV. Caldeirada de borrego é o prato especial.
De Vila Franca do Lima se espera uma ampla representação. Com “atletas”, autarcas locais e seus familiares.
A Vila Franca da Beira se exige que bem receba.
Duas Freguesias “irmãs” a reforçarem laços de amizade. Afinal, a bola é um pretexto.
A organização está a cargo do Núcleo de Veteranos da UDV. Com apoios da UDV e da Junta de Freguesia de Vila Franca da Beira.
João Dinis, Jano


julho 08, 2005

VILA FRANCA DA BEIRA - HOMENAGEIA BENEMÉRITOS - FOTOS

FOTOS







II PASSEIO PEDESTRE NA FREGUESIA DE VILA FRANCA DA BEIRA - FOTOS


Junho de 2005

junho 04, 2005

VISITA DOS PARTICIPANTES NA II CONCENTRAÇAO DE "CAROCHAS"

No passado domingo, dia 29 de Maio de 2005, por volta das 11 horas da manhã, as pacatas ruas da nossa pequena aldeia foram inundadas por alegres viaturas Volkswagem, participantes da II Concentração de Carochas, organizada pela Associação Desportiva de Lagares da Beira.




Após terem sido recebidos na nossa sala de visitas, o Largo da Capela, pelo tesoureiro da Junta de Freguesia, Viriato Coelho na ausência do presidente da mesma, porque naquela data se encontrava no estrangeiro,


houve lugar a uma breve visita à Capela da Imaculada Conceição, onde os mais crentes puderam depositar os seus votos de fé.



De seguida e desfilando pelas ruas foram recebidos na Sede da UDV, onde lhes foi proporcionada uma degustação de produtos regionais nomeadamente, pão e azeitonas caseiras, chouriças, presunto e incontornável queijo da Serra, tudo mais ou menos regado com um tinto das castas do Dão, jeropiga e licores caseiros.
De salientar que muitos dos visitantes, oriundos de terras distantes, tiveram acesso pela 1ª vez a alguns destes produtos genuínos, destacando a extrema qualidade dos mesmos e a diferença de sabor perante produtos similares.


Aos participantes desta concentração, bem como a todos os organizadores foram entregues com lembrança da sua passagem, bonés alusivos à nossa terra onde constam as suas coordenadas e endereço electrónico.

A todos endossamos os nossos agradecimentos pela amável visita que nos fizeram.

Esta iniciativa teve o apoio local da União D. T. Vilafranquense, UDV e da Junta de Freguesia.


II PASSEIO PEDESTRE NA FREGUESIA DE VILA FRANCA DA BEIRA

Domingo, 22 de Maio, 2005-05-26

Lema : “Passo a passo. Do presente ao passado. Olhos no futuro”

Em resposta ao “desafio” lançado pela Junta de Freguesia, às 11 horas de Domingo, 22 de Maio, setenta “caminheiros” alinhavam no Largo da Capela prontinhos para o início de mais uma “aventura”, ao estilo de “passeio pedestre”.

Desta vez, o trajecto atirava para Este/Nascente, com “desvio” inicial pelo “Penedo dos Três Pezinhos e “Penedo Sacralizado” até à Arcainha ( perto de Aldeia Formosa / Seixo da Beira), daqui para a zona da “Ribeira” (Rio Seia), dentro da Quinta do Doutor ou Quinta da Baleia ( local para o almoço “de farnel” mas com “reforço”…), seguindo até à Ponte do Buraco, com subida até à Lapa Seixinha, descida até ao Moinho das Figueiras e subida final até Vila Franca.

A grande parte dos “caminheiros” era constituída por Vilafranquenses – o mais jovem com seis anos de idade e a menos jovem com 77 anos – mas também seguiam visitantes. À saída, no Largo da Capela, foi distribuída uma camisola em algodão com “logotipo” da iniciativa estampado.

Estalejaram foguetes e alongou-se o grupo. Mochilas às costas, “bordões” na mão, bonés na cabeça. E toca a andar que, lá na frente, a Diane Gazeau Frade marcava o ritmo e o itinerário. Após algumas paragens “instrutivas”, e para algum descanso também, hora e meia após a saída, o grupo entrava no Parque de Merendas da Quinta da Baleia, com a “Ribeira” a rumorejar mesmo ao lado. Lá, um grelhador aceso já fazia “chiar” as chouriças e as sardinhas que a organização providenciara como o tal “reforço” ao almoço “de farnel” que os caminheiros transportavam com eles. Local, fresco, muito aprazível, com grandes mesas em pedras de granito, com casas de banho, com água por torneira. O anfitrião foi o próprio Dr. Francisco Antunes enquanto proprietário e administrador da Quinta da Baleia – tem 40 hectares e “turismo rural” - . Lembrar que o Dr. Francisco Antunes foi médico em Vila Franca da Beira durante muitos anos e que seu avô, e o tio-avô “Morgado” eram naturais de Vila Franca.

O grupo depressa “passou à acção” mais apropriada e que foi repartir-se pelas mesas e assentos e “atacar” os produtos tão apetitosos e disponíveis. Como sobremesa, destaque para o Queijo da Serra e para o Requeijão, genuínos. Tudo regado pelo “Dão” e coroado pela Jeropiga e pela Aguardente de Pêra, caseiras.

Portanto, ali se passaram duas horas de reconfortante paragem !

Mas houve que retomar a caminhada… Seguiu-se uma visita guiada ao (desactivado) Lagar de Azeite do Buraco (faz parte da Quinta da Baleia). Dali foi um estirão, a subir, até ao cimo daquela penedia toda, até à Lapa Seixinha que fica perto da estrada que vai para Travancinha. Nem todos lá foram… Esta Lapa Seixinha é uma curiosa câmara “alapada” debaixo de uma enorme laje em granito, que foi sendo bordejada, e tapada até ao solo, por umas paredes rústicas feitas com pedras em granito. Sem dúvida que para proteger quem se abrigue no interior, sejam homens sejam animais. No tecto interior, afloram, em profusão, cristalizações de quartzo esbranquiçado o que lhe confere um bonito aspecto e de certo sugeriu o nome de “Lapa Seixinha” pois, por cá, o quartzo é popularmente designado por “seixo”. Diz-se que lá cabe um rebanho de ovelhas ou de cabras e que gentes ali se acoitaram de chuvas, frios e até de perseguições. Quem sabe se o próprio e celebérrimo João Brandão ali não se “aboletou” por alguma vez ?...

E dali se desceu até à Ponte do Buraco, desta caminhou-se, quase em plano, até ao Moinho das Figueiras e depois “tocou” outra vez a subir praticamente até Vila Franca da Beira. Terminou o II Passeio onde começara, no Largo da Capela. Mas, onze quilómetros, seis horas e muitos suores depois de ter começado!

De qualquer forma, toda a gente satisfeita e a pedir mais…embora para outro dia.

Esta iniciativa integrou-se nas comemorações dos 17 Anos da Freguesia de Vila Franca da Beira.

A Junta de Freguesia expressa o seu agradecimento a todas e a todos os(as) participantes e, muito em especial, agradece a Diane Gazeau Frade e ao Dr. Francisco Antunes a inestimável colaboração.

À equipa dos “Jovens em Grupo” de Vila Franca da Beira, deixa desde já o desafio de se organizar uma próxima iniciativa, deste ou de outro tipo.

Maio de 2005

A Junta de Freguesia


VILA FRANCA DA BEIRA - HOMENAGEIA BENEMÉRITOS

No passado Sábado, 21 de Maio, 2005, a população de Vila Franca da Beira homenageou dois Beneméritos da Freguesia, o Sr. António dos Santos Lopes e o Sr. Manuel Escada Almeida. A principal cerimónia, chamemos-lhe assim, decorreu no ambiente de um Jantar / Convívio no salão grande da Sede da União Desportiva e Tuna Vilafranquense, UDV. Na presença de cento e cinquenta convivas, e já depois do jantar, houve então oportunidade para a evocação dos Homenageados e da sua especial contribuição para várias obras de interesse público realizadas nos últimos vinte anos. Na circunstância, os representantes da UDV, da Junta de Freguesia, da Comissão de Melhoramentos e da Comissão da Capela – entidades que promoveram a homenagem – usaram da palavra para enaltecer a generosidade dos Beneméritos e para se congratularem com a festa que ali decorria, naqueles momentos. Tal como a propósito se disse:- “ é uma homenagem merecida a dois homens que gostam de Vila Franca da Beira e das suas gentes, a dois homens cujos contributos significativos possibilitaram a realização de obras de interesse público e que muito contribuem para que se viva melhor na Povoação. E porque os Vilafranquenses não são ingratos, assim entenderam expressar o seu obrigado a António dos Santos Lopes e a Manuel Escada Almeida, naquela homenagem simples mas muito sentida”.

António dos Santos Lopes e a Engª Alzira Frade – esta em representação de seu tio, Manuel Escada Almeida que não pôde estar presente mas que enviou mensagem escrita – também expressaram agradecimentos pela Homenagem e, despretensiosamente e cada um no seu estilo pessoal, reiteraram o seu gosto e a sua disponibilidade em continuarem a colaborar para o engrandecimento de Vila Franca da Beira.

No final, em pleno Palco (renovado) do salão grande da Sede da UDV, as entidades promotoras da Homenagem, como recordação daquele acto, fizeram entrega de duas “salvas” em prata aos Homenageados, acompanhadas de ramos de flores e de dois “Queijos da Serra de Estrela” produzidos na Freguesia e já certificados com “selo” (holograma) de garantia de qualidade.

Foi, sem dúvida, uma Homenagem merecida e um bom convívio !

A iniciativa integrava-se, ainda, nas comemorações dos 17 Anos da Freguesia de Vila Franca da Beira.

A Organização da Homenagem