21 de agosto de 2016
20 de agosto de 2016
12 de maio de 2016
INFORMAÇÃO CDU - Maio, 2016 – FREGUESIA DE VILA FRANCA DA BEIRA
A pedido do Jano, publico a informação da CDU:
INFORMAÇÃO CDU
- Maio, 2016 – FREGUESIA DE VILA FRANCA DA BEIRA
( integrada na União das Freguesias de Ervedal e Vila Franca da Beira)
VIVA OS 28 ANOS DA CRIAÇÃO DA NOSSA FREGUESIA !
EM PRIMEIRO LUGAR AOS VILAFRANQUENSES COMPETE COMEMORAR A DATA !
Foi a 23 de Maio de 1988 – faz agora 28 anos – que a Assembleia da República consagrou a criação da Freguesia de Vila Franca da Beira. Assim, foi feita justiça aos Vilafranquenses.
Em 2013, um governo de desastre nacional formado por PSD e por CDS/PP, acabou com a nossa Freguesia contra a nossa vontade e contra os nossos direitos. Não vamos esquecer !
Nós, CDU, sempre dissemos que depois da extinção formal da nossa Freguesia, já nada seria como dantes e que as coisas seriam mais difíceis para os Vilafranquenses. Desde logo porque, agora, há mais Povoações e mais Pessoas com direitos equivalentes na atual União das Freguesias. Além do mais, durante 25 anos, tivemos a funcionar, em Vila Franca da Beira, a nossa Freguesia, sem “tutores”, e sabemos bem que isso valeu a pena!
Uma vez mais, é justo prestar homenagem aos Vilafranquenses que lutaram pela emancipação da nossa Freguesia e reconhecer a colaboração de quem ajudou embora não sendo Vilafranquense. E a melhor forma de os homenagearmos, a todos, é continuar a luta pela recriação da nossa Freguesia de Vila Franca da Beira, luta que a CDU assume.
Hoje, aos Vilafranquenses, em primeiro lugar, diz respeito comemorar a data – 23 de Maio- da criação da nossa Freguesia ! Claro que em conjunto com quem, sinceramente, connosco a queira comemorar.
JUNTA E CÂMARA DEVEM INTERVIR PARA NOS ASSEGURAR CUIDADOS DE SAÚDE
Primeiro, um Governo (PS) deixou que acabassem com o nosso Posto Médico… Agora, deixaram interromper a marcação prévia de consultas, em dia certo, na Extensão em Ervedal. Por isso, deixou de haver o transporte para lá (às Quintas-Feiras) que a nossa Junta de Freguesia de Vila Franca da Beira tinha colocado à disposição dos Vilafranquenses.
Quer dizer, o Ministério da Saúde e os responsáveis pelo Centro de Saúde de Oliveira do Hospital estão outra vez a prejudicar-nos.
C D U reclama à Junta de Freguesia e também à Câmara Municipal que tudo façam para nos reporem cuidados de saúde acessíveis e meios práticos – nomeadamente transporte até Ervedal . E também se espera que, finalmente, sejam construídas as novas instalações da Extensão de Saúde, em Ervedal. E que, depois, lá não faltem os médicos e enfermeiros.
VAI SER INAUGURADO O NOVO PARQUE FRENTE À CAPELINHA MORTUÁRIA
Recorde-se que, em Julho de 2013, esta Obra já tinha projeto aprovado e pago pela Junta e pela Assembleia de Freguesia de Vila Franca da Beira (de maiorias CDU).
Portanto, esta Obra vai ser inaugurada quase três anos depois do projeto e do terreno terem ficado prontos para ela.
Também como já se informou, a Câmara garante o pagamento através da Junta de Freguesia, num total na ordem de 52 mil euros, uma verba significativa. Mas ainda bem que em breve vai ser inaugurado o Parque frente à Capelinha Mortuária !
Porém, é justo reconhecer que deu muito, mesmo muito trabalho à nossa Junta de Freguesia de Vila Franca da Beira libertar o terreno das casitas em ruínas que lá estavam e tinham muitos proprietários.
BRASÃO DA FREGUESIA DE VILA FRANCA DA BEIRA
DEVE SER COLOCADO - DE VEZ - ONDE OS VILAFRANQUENSES DECIDIREM !
Da parte da CDU tem sido dito e redito – quer à Câmara quer à Junta da União das Freguesias – que colocar o nosso Brasão no novo Parque pode ser um recurso mas não é a solução. O nosso Brasão deve ser colocado, de vez, onde muito mais Gente o possa ver !
Então, continuamos a dizer que deve ser respeitado o direito a serem os Vilafranquenses a decidir onde colocar, de vez, o Brasão da nossa Freguesia!
DEVE SER TODO DE NOVO O CALCETAMENTO DA RUA DE SANTA MARGARIDA
(desde o Largo da Farmácia ao Cruzeiro)
Como se vê, vão agora ser calcetadas ruas que saem do Largo do Rossio. Entretanto, foi lá substituída, pela Câmara, a canalização da Rede da Água pública. São ruas que tinham alcatrão em ainda razoáveis condições e que, não esqueçamos, na devida altura esse alcatrão também foi pago, esse alcatrão, pela Câmara Municipal…
Nós, CDU, consideramos que não eram assim tão prioritários estes novos calcetamentos que vão custar na ordem de 30 mil euros.
Mas a Junta de Freguesia desta União das Freguesias “teimou”, aliás, sem ter em conta opiniões de Vilafranquenses segundo as quais a prioridade devia ser o calcetamento - de novo - da Rua de Santa Margarida que está muito irregular e não vai ficar bem com remendos avulsos e sem a substituição, prévia, da rede da Água Pública.
Se esse calcetamento não for todo de novo, então mais valia terem começado por calcetar a Rua de Santa Margarida, e só depois terem ido para as ruas que saem do Rossio.
Bom, mas a Junta de Freguesia ainda está a tempo de fazer o que deve ou seja, se quiser, a Junta também pode iniciar este calcetamento – todo novo - da Rua de Santa Margarida para ficar pronto antes de 15 de Agosto, a data da Procissão à nossa Padroeira.
23 de dezembro de 2015
O Cepo de Natal e Ano Novo em Vila Franca da Beira
Já arde (!) o Cepo de Natal e Ano
Novo, no Largo da Capela em Vila Franca da Beira.
A tradição revive-se, em Vila Franca
da Beira. Sim, já arde (22 Dezembro) o Cepo, no Largo da Capela! E,
em princípio, vai continuar a arder, dias a fora, noites a dentro.
Se possível, até ao Dia de Reis, a 6 de Janeiro.
Para já, temos uma bela rima de bons
Cepos, que até parece uma nave espacial. Alguns são Cepos prenhes
de rezina de pinheiro que arde bem. Mas também há Cepos de
eucalipto e até de castanheiro. Todos eles acabadinhos de
chegar em atrelado de tractor "voluntário". São colocados
uns em cima dos outros, com as labaredas da fogueira, logo ateada, a
saltitarem por baixo...e por dentro...e a treparem por umas brechas
laterais.. e a aquecerem o ambiente que treme com algum frio
nocturno... a iluminarem os olhos, e a alma, de quem passa e por vezes
ali pára, no Largo da Capela.
É o renovado Cepo de Natal e Ano Novo
- 2015 - 2016 - a remeter a gente para o convívio...para o sabor
apetitoso de uma boa chouriça a chiar naquelas brasas que já se
formam, solícitas... Ah ! E a pedir uma boa pinga, a regar...
E o Cepo tem este ano a companhia do
Presépio "armado" no pequeno palco do Largo da Capela. Ali
se casam muito bem o sagrado e o profano. A tradição e um mais
actualizado pulsar da imaginação. Amanhã, no futuro já próximo,
esta nossa imaginação será tradição por sua vez. E, logo aí,
sempre virá quem prove e inove. Agora, apenas se poderá recomendar
que, pelo menos, os vindouros mantenham sabores e *saberes que, hoje,
nos dão tanto gozo ! E que os saibam apreciar amplamente...com outros mais que
entretanto se "inventem" !
Viva o Cepo de Natal e Ano Novo, em
Vila Franca da Beira !
João Dinis, Jano
22 de dezembro de 2015
21 de dezembro de 2015
17 de dezembro de 2015
Presépio no Largo da Capela - Vila Franca da Beira. (João Dinis, Jano)
Presépio
no Largo da Capela - Vila Franca da Beira. (João Dinis, Jano)
A
iniciativa é toda de uma família local. Resolveram fazer um
Presépio de Natal - no palco do Largo da Capela. Presépio
artesanal, a reflectir o gosto e o jeito das mãos de quem
o montou, peça a peça, ali. Recorreram, é certo, a peças já
feitas. A enfeites, a luzinhas pisca-pisca, mas até isso foi
enquadrado na construção artesanal, simples mas trabalhosa ao mesmo
tempo. Também por isso, eu gosto. Por isso, com gosto, saúdo os
artesãos do Presépio, do Largo da Capela.
O
Presépio desenvolve-se junto ao Brasão, talhado em granito, da
Freguesia de Vila Franca da Beira. Brasão que está
colocado, "provisoriamente", no palco do Largo da Capela,
há mais de dois anos. Há demasiado tempo... Parece que, "um
dia", vão deslocá-lo para o novo "jardim"
que também já tarda a nascer no actual "jardim de pedras e
entulho" que, agora e tal como mal-está, mal-fica, frente à
Capelinha Mortuária, ao Rossio. Desta parte eu não gosto...
É
Natal. Boa Nova. Nascimento - Esperança.
Vamos
então pedir ao Menino Jesus (das autarquias) que mostre a
alguns autarcas o caminho que leva a Vila Franca da Beira...e àquele
largo, àquele "jardim de pedras e entulho", frente à
Capelinha Mortuária. E que os ilumine e lhes
permita terem uma visão:- o novo Largo com o respectivo
projecto de recuperação já concluído. Para verem que vale a pena.
Para, finalmente, apressarem a obra. Avé ! Quero vir a gostar desta
parte...
Renascer
de uma pequena-grande Freguesia.
E
que o Menino Jesus dos governantes (finalmente) lhes projecte uma
esplendorosa epifania:- pois que seja recriada, em breve, a
pequena-grande Freguesia (autónoma) de Vila Franca da Beira. E
gostamos tanto desta parte que nós próprios -- e todos os
Vilafranquenses que se prezem - nós não vamos parar !...
João
Dinis, Jano
5 de dezembro de 2015
"Cultivo" de Nemátodo na Cordinha...
A floresta da zona da Cordinha -- União das Freguesias de Ervedal e Vila Franca da Beira e Freguesia de Seixo da Beira -- está muito atacada pela doença do Nemátodo que dizima o pinheiro bravo de forma bastante evidente. Os prejuízos económicos e ambientais são enormes !
A floresta da zona da Cordinha -- União das Freguesias de Ervedal e Vila Franca da Beira e Freguesia de Seixo da Beira -- está muito atacada pela doença do Nemátodo que dizima o pinheiro bravo de forma bastante evidente. Os prejuízos económicos e ambientais são enormes !
Empobrecem a Região e empobrecem-nos a nós.
Entretanto, dezenas ou mesmo centenas de milhar de euros do nosso dinheiro público, têm sido gastas (através de entidades privadas que,assim, andam na engorda...) em ações supostamente destinadas a
controlar a doença. Porém, os resultados não são animadores... Quem vem, agora, pedir responsabilidades públicas pelo "fracasso" das várias e convergentes campanhas que tanto dinheiro estão a custar ?
Estaleiros para recolha e retirada de sobrantes de pinheiro bravo que mais parece serem "ninhos" de Nemátodo...
Durante bastante tempo, de facto, vimos dois locais distintos onde "alguém" acumulava, e fazia transportar, por camiões, troncos e ramadas de pinheiros que tinham sido retirados da Mata das imediações por equipas digamos que especiais. Um desses locais situa-se à beira da EN 231 - 2 - frente à Zona Industrial da Cordinha (Aldeia Formosa - Seixo da Beira). Outro local é junto da Rotunda, na mesma Estrada, entre Ervedal e Vila Franca da Beira.
controlar a doença. Porém, os resultados não são animadores... Quem vem, agora, pedir responsabilidades públicas pelo "fracasso" das várias e convergentes campanhas que tanto dinheiro estão a custar ?
Estaleiros para recolha e retirada de sobrantes de pinheiro bravo que mais parece serem "ninhos" de Nemátodo...
Durante bastante tempo, de facto, vimos dois locais distintos onde "alguém" acumulava, e fazia transportar, por camiões, troncos e ramadas de pinheiros que tinham sido retirados da Mata das imediações por equipas digamos que especiais. Um desses locais situa-se à beira da EN 231 - 2 - frente à Zona Industrial da Cordinha (Aldeia Formosa - Seixo da Beira). Outro local é junto da Rotunda, na mesma Estrada, entre Ervedal e Vila Franca da Beira.
Tanto quanto julgamos saber, a CAULE, entidade supostamente especializada e que fez aprovar projetos - pagos por dinheiros públicos - de sinalização e retirada de pinheiros secos - muitos destes mortos pelo Nemátodo - a CAULE era suposto pelo menos supervisionar esta intervenção.
Hoje constata-se que ou não o fez ou, se o fez, fê-lo muito mal.
Portanto, por ação ou omissão, que entidades respondem agora pelo que está a acontecer ? E que está a acontecer ?
Pois, agora, há pinheiros bravos SECOS nesses estaleiros ! E há sinais de murchidão em outros pinheiros próximos desses dois locais.
No estaleiro, frente à Zona Industrial da Cordinha, ainda há ( 4 Dezembro) dois grandes montes de estilhas provenientes dos sobrantes florestais (mortos por doença ou praga) que ali estiveram acumulados.
Quer dizer, os "estaleiros" que serviram para acumular, estilhaçar e retirar pinheiros MORTOS - muitos destes mortos pela doença do Nemátodo - estão, agora, a fomentar a morte de mais árvores,
provavelmente pelo Nemátodo !... Quer dizer, o nosso dinheiro público está a servir para a "produção" de Nemátodo ou outro mal da Floresta !
No mínimo, no mínimo, tem por ali reinado grave negligência ! E quantos estaleiros mais (exatamente aonde) há no nosso Município e na Região toda ?? E, que entidades respondem agora pelo sucedido ? E quem lhes virá assacar responsabilidades públicas pela negligência que indicia ser criminosa ?
Ministério da Agricultura e Câmara Municipal têm que apurar responsabilidades e pedir contas.
Em primeiro lugar, compete ao Ministério da Agricultura apurar responsabilidades em concreto. Foi o Ministério da Agricultura - hegemonizado pelo CDS /PP e pela CAP - que aprovou o(s) projeto(s) de combate ao Nemátodo na zona e, por isso, é a entidade da tutela.
Mas a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital não pode assobiar para o lado. No Município também é suposto haver a "Comissão Municipal de Defesa e Proteção da Floresta" da qual o Presidente da Câmara é Presidente por inerência. Pois, desde já se exige à Câmara Municipal uma intervenção enérgica e rigorosa, também com o objetivo de apurar responsabilidades e de se pedir contas a quem negligenciou e, assim, provocou esta preocupante situação.
Da nossa parte, já demos conhecimento formal do assunto. Até para que ninguém possa dizer que não sabia...Espera-se então por providências urgentes.
João Dinis
( C D U - Oliveira do Hospital )
Nota:- enviam-se três fotos atuais dos "estaleiros" em causa. Duas dessas fotos são do estaleiro da Zona Industrial da Cordinha.
11 de agosto de 2015
6 de agosto de 2015
1 de agosto de 2015
29 de julho de 2015
25 de julho de 2015
20 de junho de 2015
Comemoração do Aniversário da Confraria do Torresmo Beirão – 2º. Capítulo – 12.06.2015
Realizou-se no passado dia 13 de Junho, a Comemoração do Aniversário da Confraria do Torresmo Beirão. Também nessa data realizou-se o 2º. Capítulo. Foram entronizados os Confrades Filipe Frade e Victor Frade.
Segue-se a Saudação do Mordomo-Mor, Snr. António Augusto Simões, na referida Cerimónia:
“Muito Bom dia e bem
vindos a Vila Franca da Beira
Quero agradecer a
presença do Exmo. Sr. Presidente do Município de Oliveira do
Hospital, Professor José Carlos Alexandrino Mendes, dos
representantes das Confrarias do Queijo da Serra, de Oliveira do
Hospital, da Confraria dos bolos, doces, aguardentes e licores, de
Ervedal da Beira, da Confraria dos Sabores, de Coimbra, da Confraria
do Medronho, de Tábua, das Confrarias do Vinho Verde, e Bolos
Jesuítas, ambas de Santo Tirso, dos representantes da União de
freguesias de Ervedal e Vila Franca, e ainda da Imprensa local.
Tal adesão muito nos
honra, por quererem participar na nossa festa. Este é apenas o nosso
2º. Capitulo, o que demonstra que somos uma Confraria de tenra
idade. Contudo, permanece em todos nós o espírito que nos levou à
sua criação que é o propósito firme, e de forma construtiva, de
divulgar as tradições e de zelar pela manutenção das iguarias
tradicionais e gastronómicas da região.
Quem se envolve em
iniciativas desta natureza sabe, e porque disso tem firme convicção,
que vale a pena gastar o tempo para manter vivos e
com vitalidade os usos e costumes que os nossos avós nos
deixaram, e que assim continuarão a perdurar por muitos e muitos
anos.
Iremos hoje proceder a
entronização de mais dois membros desta confraria ( Filipe Frade e
Victor Frade ). Mais deveriam estar aqui, mas por razões da sua vida
não lhes foi possível. O ideal seria procedermos já hoje à
entronização da componente feminina, ou seja, das nossas confrades,
para que o grupo ficasse devidamente ornamentado. Tal não foi
possível, esperamos que essa dádiva se concretize no próximo
Capitulo.
Em nome da Confraria do
Torresmo Beirão, um muito obrigado a todos e os nossos sinceros
agradecimentos.”
3 de fevereiro de 2015
21 de janeiro de 2015
20 de dezembro de 2014
15 de dezembro de 2014
Conto de Natal - Renato Nunes
Conto de Natal: “Família que reza mantém-se unida”
Atravessavam-se quilómetros e aquele apelido, por si só, era chave infalível para entrar em qualquer cofre-forte: “– Sabe, venho da parte do sr. Forjaz”. E a casa escancarava-se mesmo à frente dos nossos olhos, sem qualquer pergunta adicional.
A família Forjaz construíra um dos maiores impérios da nação, graças, em primeiro lugar, à compra e venda de habitações. Ao velho Forjaz costumavam, de resto, chamar o rei do imobiliário, o que curiosamente até rimava com milionário.
Manuel Antunes de Pina Forjaz nascera em Vila Marim, no norte do país, no seio de uma família da astuta burguesia. Crescera numa velha casa de granito com vista para um penedo onde alguém um dia inscrevera uma frase, que sempre guardaria inconscientemente por dentro: “Família que reza mantém-se unida”. De resto, como não quisera queimar as pestanas com os livros, acabara por casar-se com uma dama da nobreza, por sinal bem mais velha, que, segundo acreditava, lhe poderia garantir o prestígio de um nome azul até ao fim dos dias.
Logo após o matrimónio, partiram para a capital e, graças ao belo pé-de-meia que traziam escondido, conseguiram adquirir uns vastos quilómetros de terreno a escassos quarteirões do Tejo. Apenas dois anos volvidos, revenderam alguns lotes e ganharam o suficiente para adquirir três belas moradias na zona mais cara da cidade. A histórica Olisipo crescia então a olhos vistos e o cobiçoso Forjaz, cada vez mais raposo, não perdia a oportunidade de ceifar a seara.
Passaram-se anos e anos, os suficientes para que a família Forjaz se tornasse sinónimo de sucesso em todo o país. Aos poucos, começaram a minar as mais variadas áreas: restauração, saúde, vestuário e, já numa fase mais recente, uma petrolífera – os reputados investidores diziam que o ouro negro era o único futuro do país e o cobiçoso Forjaz, cada vez mais lampeiro, em tudo o que via cheirava dinheiro.
Todavia, sobretudo a partir de uma determinada fase da vida – talvez porque nunca tivessem filhos – os dias começaram a parecer-lhes insuportavelmente iguais. O casal Forjaz sentia a rotina a amargar-lhe na boca: acordar às 5h00 da madrugada, engolir o pequeno-almoço, separar tarefas (– tu vais à clínica!; – tu segues para os restaurantes…), atravessar a confusão dos carros parados nos semáforos, respirar o ruído do fumo a fugir dos escapes das chapas andantes que acabavam de arrancar. E no meio de tudo isso uma insuportável sensação de profundo vazio. Um vazio que, na verdade, contrastava com as inúmeras pessoas que diariamente recebiam no conforto das suas casas repletas de festas simuladas. Silêncio.
Forjaz casara-se com pouco mais de 18 anos. Maria teria na casa dos 30. Durante todas as suas vidas, nunca haviam conhecido o sabor da fome, nem sequer algum dia haviam pensado em tal realidade. As suas habitações eram fartas e as mesas estavam sempre recheadas com tudo o que de melhor existia. Ainda assim, invadia-os a solidão, uma desgastante e insuportável solidão que a cada minuto os fazia perguntar o sentido da sua condição e, ao mais pequeno pretexto, os conduzia à discussão.
Um dia, Maria aproximou-se do velho Forjaz e, estendendo-lhe delicadamente as mãos, mostrou-
-lhe uma caixa de sapatos, cujo interior fora forrado com um pano de seda. Lá dentro, dormitavam dois gatinhos recém-nascidos, ainda com os olhinhos bem fechados. O velho Forjaz coçou a cabeça e sorriu longamente, parecendo assim aprovar a ideia da mulher para combater aquele vazio. De resto, gostou tanto que, logo no dia seguinte, foi ele próprio que repetiu a proeza e trouxe para casa dois cãezinhos que passaram a ser uma das poucas alegrias dos seus dias de milionário solitário.
A chegada dos irrequietos bicharocos trouxe luz à escuridão do casal e a partir daquele momento os dias nunca mais foram os mesmos. O velho Forjaz via os tapetes roídos e as cadeiras arranhadas, mas perante o olhar complacente dos novos inquilinos nem sequer conseguia erguer a voz para proferir a mais breve reprimenda. Limitava-se a sorrir à esposa, que a todo o custo tentava esconder as asneiras dos bicharocos! Bastaram alguns dias e tornou-se evidente que a harmonia trouxera finalmente uma família à moradia. E pela primeira vez havia alegria.
Passaram-se meia dúzia de anos e os animais cresceram alegremente na companhia uns dos outros. Nem os cães corriam atrás dos gatos, nem os felinos se intrometiam nos afazeres caninos. Quando muito, nos tempos mais recentes, lá vinha um miar mais assanhado ou um latido mais assustador sempre que a comida parecia não chegar para todos. A princípio, os quatro patas – amamentados no tempo das vacas gordas – começaram a estranhar a diminuição progressiva da ração, mas ao fim de algum tempo lá acabaram por convencer-se que tudo aquilo faria parte de uma dessas dietas malucas que a dona tantas vezes prescrevia a si mesma. Arre que era teimosa!
Mesmo Fadista, o possante perdigueiro de orelhas caídas que mais se aproximara do coração do velho Forjaz, deixara de conseguir avançar o suficiente para sentir a mão no pêlo a afagar-lhe os sentidos. Aliás, ainda se lembrava muito bem quando, talvez há menos de duas semanas, tentara fazê-lo e tivera mesmo de fugir a sete pés, para não levar com o ferro da lareira em cima da cachimónia. Gerou-se então longa discussão entre a bicharada por muitas noites dentro.
Um dia, porém, logo pela madrugada, chegou a ansiada explicação. Na mansão todos puderam ouvir que os Forjaz acabavam de decretar falência e em breve tudo seria entregue aos credores. Num ápice, as empresas foram seladas e quase de imediato vendidas em hasta pública, o mesmo sucedendo com o restante património ampliado ao longo de décadas e décadas de investimento e dura poupança.
Então, o velho casal, já sem o prestígio que o dinheiro oferece ao nome de baptismo, foi forçado a deixar tudo para trás. Quanto aos animais que um dia haviam acolhido, não hesitaram em escorraçá-los imediatamente com sete pedras nas mãos. Pedrada após pedrada, os desorientados bicharocos ganiam dolorosamente e rodopiavam em volta da porta, nunca se afastando o suficiente para ficarem em segurança. Quando, por fim, as pedras deixaram de cair sentaram-se sobre as patinhas traseiras e aguardaram.
Manuel e Maria abandonaram a mansão pela porta das traseiras numa manhã de Inverno. Mais sós do que nunca, arrastaram-se pelas ruas da cidade durante várias semanas. Sentiram frio, conheceram a fome, dormiram nas entradas dos edifícios que no passado haviam possuído e, ironia das ironias, acabaram a vasculhar a comida dos restaurantes onde ainda há pouco davam ordens. E enquanto percorriam as ruas em busca das portas abertas sentiam o desprezo das inúmeras visitas que durante anos e anos haviam diariamente recebido nos seus lares…
Numa dessas intermináveis noites em que vagueavam pelas ruas abandonadas atracaram na velha mansão onde um dia haviam imperado. Repararam então que no interior da casa havia luzes, muitas luzes, e decidiram esperar atrás de um enorme arcipreste que crescera do outro lado da calçada. Estava escuro e, por certo, lá dentro, o jantar estaria prestes a terminar. – Talvez depois algum empregado venha despejar os restos das refeições no lixo... – matutaram para os seus botões. E esperaram, sempre escondidos.
Estava frio, muito frio mesmo, e os trovões sulcavam assustadoramente os céus. Manuel abrigava a mulher debaixo da gabardina, apertando-a contra o peito quando, subitamente, o ansiado criado da mansão ultrapassou o secular portão de castanho. Viram-no debruçar-se e assobiar, durante alguns minutos. Logo depois, chegaram dois cães franzinos, com as caudas a abanar, fixando atentamente o homem da camisa branca que lhes estendia os restos da noite. O empregado aproximou-se e antes de partir afagou-lhes ternamente o cachaço, sem sequer ter tempo para ver os dois gatos que, entretanto, se haviam acercado da desejada comida.
À distância, Manuel podia jurar conhecer aqueles animais de algum lado, mas a miopia cada vez mais acentuada imprimia uma perspetiva impressionista a todas as imagens que lhe chegavam à mente. Então, deixou o homem da camisa branca fechar completamente o portão e, depois de avançar alguns metros, quase sentiu um aperto no peito, quando identificou os bicharocos que ainda há tão pouco tempo havia escorraçado à pedrada. Percebia agora que eles sempre haviam permanecido por ali…
Pressentindo-os avançar para a desejada comida, Manuel assobiou o mais alto que conseguiu, enquanto coxeava em direção ao centro dos acontecimentos, arrastando atrás de si a sua mulher, cada vez mais fraca e dorida pelo gelo da noite, pelo imenso poder da fome. Vazio.
Ao assobio, os animais olharam em uníssono para o casal, completamente absortos da cabeça às patas, sem qualquer movimento, talvez estupefactos pela inesperada presença dos seus donos. Até que, sem que nada o fizesse prever, um a um, todos se desviaram da fumegante refeição, como que abrindo caminho aos estômagos vazios daqueles que ainda recentemente os haviam abandonado.
Vendo aquela surpreendente prova de fidelidade e bondade, Manuel baixou ternamente a face e apertou a mão de Maria com mais força. Negociante de poucas palavras, sempre lhe haviam ensinado que um homem não chora, e por isso continuou a arrastar a mulher pela calçada fora. Depois, sempre juntos, sentaram-se lado a lado, recolheram a comida do chão e começaram a atirá-la, alternadamente, a cada um dos animais, também eles profundamente esfomeados. Já há vários dias que nenhum dava uso à dentuça.
Nas ruas não havia ninguém. O frio descia silenciosamente das montanhas e atravessava cada ser até às mais profundas entranhas. Aninhados sobre a entrada da mansão onde um dia haviam crescido, os quatro patas envolviam-se num lânguido sussurro, rodeando ternamente os seus donos, com ou sem dinheiro, com ou sem roupas douradas ou insígnias imaginadas. Nem sr. Forjaz, nem sr. Manuel, nem conde, visconde, deão ou barão. Apenas e sempre os seus donos, finalmente de regresso. Nada mais.
Ali mesmo, do outro lado dos seus antigos abrigos, não havia solidão. Afinal, também ali chegara, provavelmente, uma das maiores lições desta época: “Família que reza mantém-se unida” – e existem tantas formas diferentes de rezar…
Naquele inesperado local, pela primeira vez na vida daquele casal foi Natal…
[Natal,
Ferida sem mal,
Safanão de luz
Que nos conduz
A perceber
Que apenas reencontramos
O que somos
Quando fugimos do artificial.
Natal, cordão umbilical,
Caminho que nunca se constrói sozinho;
É preciso merecê-lo
Para depois recebê-lo
E não voltar a perdê-lo.]
Renato Nunes
16 de novembro de 2014
Entre a História e a vida - Renato Nunes
RENATO NUNES - Durante um período, mais ou menos regular, serão apresentados aqui, em www.vilafrancadabeira.net, “escritos” do Amigo Vilafranquense - Renato Nunes.
Entre a História e a vida
Historiadores
e filósofos clássicos como Heródoto, Tucídides ou Cícero
acreditaram que “a História é a mestra da vida”. Alguns
autores mais recentes, no entanto, têm vindo a sustentar que a
grande mestra da História (e da Humanidade) é a vida: enquanto
esta nos grava na pele as duras aprendizagens adquiridas à custa
dos nossos próprios erros, a primeira limita-se, em traços
sumários, a mostrar-nos à distância alguns percursos trilhados
pelos nossos antepassados. Trata-se de uma distinção que, embora
simplista, talvez possa ajudar-nos a compreender a crónica
dificuldade que sentimos em aprender com os erros dos outros…
Vem este
arrazoado a propósito de uma reflexão que já algum tempo venho
amadurecendo acerca das relações do Homem com a História, em
particular nestes tempos tão estranhos que continuamos a viver.
Estar atento aos sinais dos dias deveria ser uma tarefa de todos
os cidadãos e, em particular, daqueles que consagram a vida ao
estudo desta “narrativa científica”. Também por isso, não
consigo aceitar (embora me pareça fácil explicar) o “enterrar
da cabeça na areia” que para aí vai grassando, mesmo entre
pessoas com responsabilidades histórico-culturais evidentes…
Por isso,
no início deste terceiro parágrafo lanço um desafio ao leitor:
perca algum do seu tempo a observar as emissões do “Canal
História”. Aí, poderá deparar-se com várias “preciosidades
esotéricas”, que podem passar pela procura de seres
extra-terrestres nas mais surpreendentes construções feitas
pelo Homem, no âmbito das várias civilizações, ou até mesmo,
só para dar outros exemplos bizarros, pela busca de vampiros,
monstros lendários ou deuses que se fizeram Homens… Podia,
afinal, falar de um “Canal História” que, de um modo regular,
parece querer falar de tudo, menos de História. Naturalmente que,
se um canal que deveria ser de referência é assim, nem vale a
pena explorar o que acontece no caso dos generalistas… big
brother’s
(ressalve-se aqui, apesar de tudo, o meritório esforço da
RTP2 do ponto de vista cultural, pese embora a espada de Dâmocles
– leia-se, privatização – que paira sobre a sua cabeça…).
Esta é, no
entanto – como outros articulistas já denunciaram –, a ponta
do icebergue de uma tendência mais vasta, que se reflecte, por
exemplo, no modo como a História aparece representada nos
escaparates das grandes superfícies comerciais, com títulos cada
vez mais sensacionalistas e graficamente adornados, mas cujo
conteúdo está, afinal, para a História como um camelo para o
rio Mondego… Depois, quanto aos estudos sérios que ainda vão
existindo (sim, porque neste país ainda se produz alguma
investigação séria e rigorosa), quando conseguem ser editados,
raramente chegam ao grande público por mais de uns fugazes
instantes, logo desaparecendo (inexplicavelmente?) dos
expositores.
Serão estas
grandes transformações inconscientemente fabricadas pelos
arautos do neo-liberalismo reinante neste novo século, quais
usurários que há muito venderam a alma ao Diabo, em nome do seu
único deus, o dinheiro? Tratar-se-á apenas de ignorância ou as
razões serão mais obscuras? Existirá uma estratégia deliberada
de reconverter os cidadãos em súbditos, o pensamento em
obediência? Estaremos, afinal, a regressar paulatinamente,
sub-repticiamente, a um Estado totalitário, que se intromete nos
mais variados domínios da existência do indivíduo, regulando e
vigiando obsessivamente tudo o que somos, passando até mesmo pelo
número de animais que acolhemos dentro das casas onde vivemos?
Aproveitar-se-ão os líderes do facto de as multidões preferirem
ser conduzidas, em detrimento de tomar as rédeas do futuro nas
próprias mãos? E poderão, efectivamente, tomá-las? O leitor
saberá encontrar a sua resposta. Mas, por favor, reflicta. E ouse
discordar das minhas respostas.
Respostas que,
afinal, são cada vez mais difíceis de encontrar, sobretudo para
aqueles que se sacrificaram ao longo de uma vida inteira ou para
os jovens que desperdiçaram décadas a concluírem percursos
académicos, muitas vezes com distinção, e depois são
convidados a emigrar para o resto dos seus dias. Respostas que, de
resto, não estão ao alcance dos comuns mortais e cujo sentido,
por mais que os nossos manhosos líderes nos procurem inculcar,
deixam sempre qualquer ser pensante com a pulga atrás da orelha.
Afinal, como recentemente me escrevia um amigo, este país já não
é para jovens, nem para idosos e, naturalmente, ainda menos para
crianças. Este país é para as pedras e, claro, para os
arrivistas, os burocratas mangas-de-alpaca, os corruptos, os
farsantes, tantos engenheiros ou doutores “à la burla”, que
depois até lançam livros onde se apresentam como vítimas de um
sistema que ainda há bem pouco tempo ajudaram habilmente a
forjar…
Atravessamos
um período de indefinição, laxismo, niilismo, anomia e,
sobretudo, de total impunidade em relação aos protegidos dos
vários reis que para aí existem. Efectivamente, pensando bem,
Portugal abandonou a Monarquia em 1910, mas nunca deixou de ser um
conjunto de pequenos reinos, governados por vários caciques, cuja
utilidade é tantas vezes justificada com o pretexto de um carimbo
ou uma simples rubrica. Olhamos à nossa volta e vemos polícias
condenados à prisão por terem colocado a vida em risco,
perseguindo criminosos; pais com medo de imporem regras aos
filhos, pela pressão social de algumas correntes
psico-pedagógicas que transformam as crianças em deuses que não
podem ouvir um não ou sentir o traumatismo da frustração e
muito menos de um berro; professores ameaçados, agredidos,
publicamente humilhados e, agora, forçados a fazer provas cujo
principal objectivo, além de representar um belo encaixe
financeiro para os cofres do Estado, passa por escamotear os
dramáticos números do desemprego. Afinal, deixarão de existir
docentes desempregados, cinicamente reconvertidos em candidatos a
professores que não conseguiram obter aprovação na tal prova
generalista já do dia 18 de Dezembro, onde serão testadas as
competências esotéricas que para aí grassam… A verdade é que
a qualidade do sistema não constitui o grande objectivo deste
tipo de medidas com carácter eliminatório que, de resto, me
fazem lembrar um pouco a trágica anedota do paciente que se
dirige repetidamente ao médico, queixando-se de dores no peito e
o clínico limita-se a mandar-lhe repetir exames atrás de exames,
até que o desgraçado lá acaba por morrer e, desse modo,
contribui para a redução estatística do número de doentes. Não
é, afinal, o que tem sucedido em Portugal ao longo dos últimos
anos com esta obsessiva ideia de que tudo se resolve com mais
exames, em detrimento de atacar as verdadeiras causas? A este
ritmo, não tardará que deixem de existir desempregados, pobres,
deficientes ou quaisquer outro tipo de calamidades e então o
reino dos céus terá, finalmente, chegado a este cantinho do
Mundo… Hoje, no meio de tanta miséria e de tanto cinismo, os
acenos que o poder nos faz são cada vez mais apetecíveis.
Depois, resistir-lhes implica uma integridade, que, reconheço,
nem sempre se coaduna com a necessidade de sobrevivência.
As linhas
traçadas para o futuro deste país, nomeadamente ao nível da
Educação, são simplesmente desastrosas. Veja-se, por exemplo, a
preconizada privatização das Escolas (ninguém se iluda: é o
que está realmente a acontecer), que significará “apenas” a
destruição de um dos mais poderosos meios de mobilidade social
ascendente construído neste país no pós-25 de Abril e que
permitiu a vários jovens (entre os quais me incluo) continuar a
estudar e ensaiar construir um futuro diferente das raízes onde
nasceu. Com todas estas medidas, no mundo dos privados, as elites
poderão continuar a perpetuar-se (dinheiro gera dinheiro, poder
gera poder) e os desgraçados do berço poderão igualmente
perpetuar-se… na miséria. Estamos, afinal, perante um profundo
retrocesso civilizacional.
Os arautos que
nos desgovernam parecem efectivamente acreditar no efeito Mateus:
“Porque ao que tem, dar-se-á e terá em abundância; mas ao que
não tem, ser-lhe-á tirado até mesmo o que tem”. Será
que é apenas porque nunca conheceram o amargo de não ter? A
verdade é que – perdoem-me o desabafo – ninguém deveria
governar os outros sem conhecer o sabor da fome, sem sentir na
pele a verdadeira dimensão da realidade.
Neste último
parágrafo, debruçado entre a vida e a História, opto pelas
pontes que unam as duas construtoras da memória e,
consequentemente, de tudo o que somos. Recordando o meu próprio
percurso pessoal e daqueles que me são mais próximos, regresso à
História-ciência e História-docência a que um dia pensei,
ingenuamente, poder consagrar a vida, em regime de exclusividade.
Regresso a todos os gigantes que continuam a transportar-nos aos
ombros. Regresso a esses gigantes, a tantos heróis do silêncio
do anonimato, que merecem, pelo menos, a nossa indignação. E
deles recupero uma lição que a História parece querer gritar-me
– se a indiferença vencer, o século XXI não será muito
diferente do século que o antecedeu: 1914-1918 – I Guerra
Mundial; 1939-1945 – II Guerra Mundial, Holocausto… Será
mesmo necessário continuar a escrever, sabendo que apenas este
último conflito terá provocado mais de 50 milhões de mortos e a
banalização do genocídio? Até quando a História e a vida
caminharão de costas voltadas dentro de cada um de nós?
Renato
Nunes
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